Relato pela jogadora Carolina Pido

Diário de bordo da Capitã Moatilliatta

Dia 13, primavera, ano 1 desde a reforma da ponte. Pontevera

Encontro-me sentada no bar da mesma taberna de sempre, que por algum motivo sempre esqueço o nome, sei que tem algo a ver com lagartixa…

Eu e minha tripulação acabamos de chegar de nossa primeira empreitada, nos reunimos 13 dias atrás, nesta mesma taverna, onde meu bucaneiro Lobo trouxe a mim, uma carta com um pedido da comandante Ana, que pedia para que aventureiros recuperassem um baú de um naufrágio, ao ouvir essa palavra, imediatamente soube que deveríamos seguir nessa missão, pois as plantas que tanto procuro podem estar a bordo de qualquer navio a esse momento, e pensar que as tive em mãos e perdi…

Convenci o nosso jovem escriba Orwyn que se encontrava receoso quanto ao avanço que essa seria uma ótima ideia, porém precisávamos de alguém que aguentasse os trancos da viagem por nós, eu sabia disso, então convenci o inútil do Jorge a vir com a gente, eu deveria ter sabido disso, ele fedia mais que meu grande amigo Micurê que está bebendo nesse momento comigo, mas topou com certo grau de veemência meu convite para fazer um dinheiro. Juntamos algumas provisões com a taberneira que também nos contou alguns segredos um tanto perturbadores envolvendo dotes desmortos e a capitã Ana, não consegui entender muito bem pois estava meio tensa pelo cheiro do Jorge.

Ao sairmos da taberna, com a proposta de trazer ainda mais fofocas em nossa volta, fomos em direção ao porto, onde encontramos a capitã Ana fumando algo que cheirava como psicodelia, ela pareceu particularmente entusiasmada quando citamos o baú, o que me faz pensar se os boatos do dote gigante desmorto eram reais, ela nos deu algumas direções, e após comprarmos alguns utensílios de viagem, partimos;

A primeira metade de nossa viagem foi particularmente tranquila, escolhemos seguir por um caminho intermediário entre a praia e a vegetação mais densa, o que nos proporcionava uma boa vista do mar, ao acamparmos a noite eu com meu super instinto de uma brava guerreira do mar, pesquei peixes para uma semana inteira, ninguém sequer me agradeceu por isso, tenho que trabalhar isso com meus tripulantes.

Ao longe em nosso acampamento conseguimos ver o que parecia ser um obelisco da morte enviado dos céus, cheio de mãos rodeando-o, fiquei um tanto preocupada que o Juízo final estaria em minha frente antes de eu conseguir construir o braco dos sonhos, porém conforme nos aproximávamos, pudemos notar que se tratava apenas de um moinho muito grande e muito destruído, ao nos aproximarmos mais, pudemos ouvir um chiado vindo de dentro, como se capivaras de duas patas estivessem fazendo uma convenção de pura maldade sob a luz de tochas, ao ver o olhar assustado de Eriatarka, soube que algo nçao estava certo, roedores são os favoritos dela.

Rodeamos o perímetro, distribuindo nosso pessoal de maneira a cobrir todos os pontos cegos, nosso escriba, Orwyn que leu muitos livros esquisitos em sua vida, por algum motivo podia entender os bichos, apesar de Lobo ter dito que eram monstros sem alma. Então ele bateu a porte e MEU DEUS COMO ELES SÃO FOFINHOS! Com suas panelinas e martelinhos e suas mãozinhas de Saruê segurando coisinhas pequeninas. Orwyn conversou com eles, uma família de 3, e descobrimos que eles estavam buscando qualidade de vida melhor, porém eles estavam atados a uma Yanguara, conhecida apenas como chefe, não sei se minha tripulação achou eles tão fofinhos quanto eu, mas todos topamos em mandar essa chefe para as cucuias, bolamos um complexo plano que envolvia nos cobrimos de pó de osso que os Micurês moíam para disfarçar nosso cheiro, e nos escondermos em um mezanino que havia no moinho e aguardar pela chegada da chefe, que vinha todas as noites comer com eles, acho que no fundo elas talvez se sintam sozinhas e gostem de companhia as vezes.

Houve uma batalha feroz na casa dos pequeninos, nossa armadilha bolada por Ofelia (nossa barda) deu certo e a chefe ficou presa em uma rede de pesca que a mesma comprou e jogou fora, pois foi rasgada na sequência, fiz a chefe pegar fogo com a ajuda de meu bucaneiro Lobo, e o fiel cão de Orwyn desferiu um golpe final bem violento e sem nenhuma ajuda de Jorge, que apenas se cagou, conseguimos derrotar a Chefe e liberar os micurês de suas garras, eles ficaram muito felizes e nos abraçaram, tive que me conter nesse momento para não chorar de alegria, eu amo esses pequenos!

Recolhemos então alguns itens com a chefe e pela casa para vendermos quando retornássemos a Pontevera, porém logo ao sair do moinho e adentrar na mata, avistamos um réptil gigantesco mastigando um cavalo altamente paramentado, me pergunto o que ocorreu com seu cavaleiro, fingimos demência e deixamos o animal finalizar seu lanche em paz.

Estávamos todos muito cansados pois estávamos carregando peças de moinho que Lobo disse que poderíamos vender pra alguém na cidade, estávamos tão cansados que nao percebemos, durante a noite do último dia, o aproximar de 6 seres que eu nunca havia visto na vida, eles estavam carregando lanças que apontaram para nós, já estava prestes a reagir quando Orwyn falou com eles (esse cara é meio estranho sério, será que ele curte essas coisas de bicho?) e no fim eles são um povo bem legal que vive na floresta mais bela, e vieram para cá fazer comércio, inclusive estão aqui na cidade, vou tentar arranjar uma arma de fogo com eles, acho que combina mais comigo que essa besta que eu preciso ficar recarregando o tempo inteiro.