Minhoca no cardápio e gosma no sapato
Finalmente estou aprendendo a juntar umas letras com outras e, pasmem, já consigo saber a orientação correta de uma página. Em frente à nossa sede, uma semente foi plantada e crescerá firme uma árvore no futuro, e quem toma conta dele é uma Jurumi chamada Jaciúna. Ela leva esse negócio de “vigia” a sério. Tem gente que diz que viu ela derrubar um bebum só com o olhar. Verdade ou não, nem pense em cutucar a árvore.
Partimos rumo ao norte, nossa intenção era voltar praquela masmorra com a torre quebrada. No caminho, esbarramos em uns jurumis que nos contaram histórias sobre a tal Avó das Árvores e os João de Barro Gigantes que, aparentemente, fazem casas para proteger estas árvore milenares. Alguns dias de viagem a frente, já na masmorra, percebemos que tudo estava mais gosmento do que lembrávamos. Gosma nas paredes, no chão, no teto… até no ar, parecia. E como somos pessoas práticas e muito bem preparadas, entramos pelo teto mesmo. Afinal, quem precisa de porta quando se tem criatividade e falta de juízo?
Exploramos a ala leste até encontrar uma escada que levava a um corredor que já havíamos vasculhado tempos atrás. E foi lá que vimos: um guerreiro lendário (sim, um daqueles) colado no teto, parecendo uma arte contemporânea feita de defunto e geleca. Libertamos o corpo, porque estas lendas não merecem virar decoração de masmorra.
Subimos de novo e topamos com uma sala com uma piscina de gosma. No meio da poça, um objeto pontiagudo começou a se erguer na nossa direção. Parecia apontar para nós. Tinha algo de julgador naquele gesto. Tentamos interagir, ou melhor, atacar... mas o troço ficou lá, inerte, se fazendo de misterioso de propósito. Não gosto disso.
O tempo estava contra nós, e já íamos saindo quando uma minhoca do tamanho de um ônibus saltou do nada e tentou nos transformar em lanche. Peguei meu martelo, e dei um total de 2,5 Xablaus nela. Desci o braço mesmo, até virar purê de minhoca. Levei um bom pedaço pra Marquesa, que anda testando novas preparações. Não sei se combina com o gosto dela, mas recurso é recurso, e uma guilda recém-criada precisa de qualquer tostão.
Encerramos o dia assim: sujos, fedendo a gosma e mais confusos do que quando entramos. Mas vivos. E com um pressentimento esquisito — como se aquela coisa na poça estivesse esperando a gente voltar.
Xablau - Jogador Cássio